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Rodolfo Lopes (10/09/2003) Há seres que esvaem cem anos mal vividos Para avançarem só alguns metros mal percorridos De sua caminhada. No todo eles vivem, de fato. Apenas uma centena de minutos... se tanto. Mas há seres que precisam de tão pouco tempo Para darem várias voltas ao mundo Que realizam como se vivessem por séculos... Há seres que passam por nossa vida Sem nem mesmo serem notados, Sem nunca nos acrescentar nada... Mas há seres que passam por nós Como se fora um vendaval, um tufão, Que nos viram do avesso, minam nossa defesa, E arrastam-nos junto com eles em seu caminho... Há seres que chegam e vão embora Como o carteiro que só traz uma carta, Ou como o rapaz que só vem ler a conta de luz... Mas há seres que chegam e ficam em nós... para sempre... Quando vão embora, se vão, levam junto o que somos, Uma boa parte, se não tudo de nós... Levam nosso coração... despedaçado... sangrando. Olha, você ficou tão pouco tempo entre nós... Mesmo assim nos ensinou o que é amar Sem nada pedir em troca... só dando amor... Ontem você se foi para outra morada... no infinito... Você fará muita falta, seu carinho fará falta... Só restou o consolo de tentar espelhar você Em tudo aquilo que ainda temos por fazer...
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